A INICIAÇÃO
Angelis
Ela recebeu um pacote, uma bela caixa contendo um vestido ainda mais belo. Junto, um bilhete: "Vista e compareça à festa esta noite. Isto é um pedido e espero, sinceramente, ser atendido." A assinatura a surpreendeu, não esperava por esse pedido. Ficou ruborizada, com as mãos gélidas. Ele confiava nela, sabia que a menina estava preparada para o momento.
Anoiteceu. Estava pronta. Belíssima, transformara-se numa mulher. Era como o desabrochar de uma rara flor. Lentamente, fora preparada, educada, adestrada. Sabia que Ele sentia orgulho, prova disso era o convite. Saiu de casa, certa de que ia agradá-Lo. No caminho, chamava a atenção pelo seu andar, pelo seu cheiro. As fêmeas exalam certo cheiro... Entretida em pensamentos, não reparara que o castelo se aproximara.
Estava sozinha, aliás, era a única desacompanhada. "Belo castelo!!" Seus olhos brilhavam... Uma escrava a guiou por corredores que pareciam intermináveis. Sua ansiedade, quase incontrolável. Pensamentos, desejos, fantasias, tudo simultaneamente, passavam, giravam por sua mente. Muitas pessoas. Dominadores, Senhoras, Rainhas, Mestres: todos se encaminhavam para o salão principal. Os escravos eram jogados numa saleta paralela ao salão. De forma rude também foi jogada na saleta. Os escravos estavam todos em silêncio. Por que ela era tratada assim? Não sabia... Mas gostava.
Aos poucos, os escravos eram levados, até que... a menina ficou só. Sentia medo, medo do silêncio. Após algum tempo, a mesma escrava que a recebeu entrou: "Ordenaram-me que a levasse até o salão." "Quem?", perguntou a menina. Ela nada disse. Seguiu-a.
As portas se abriram. Logo avistou a anfitriã que, com um sinal, ordenou que ela subisse em uma pequena mesa. Para sua surpresa, ela era a única mulher com aquele vestido de couro preto, que favorecia seu colo esmagado em um belo decote. As outras iniciantes estavam expostas de forma mais explícita em cima de outra mesa, uma ao lado da outra, seminuas, sendo tocadas de várias formas por todos os Dominadores.
A menina estava só, praticamente coberta, chamando a atenção por estar com o corpo quase coberto. Por que Ele não queria que a menina fosse tocada também? Sua respiração estava ofegante... Aquele vestido teria sido escolhido propositalmente? Será que Ele queria que ela se diferenciasse das demais? Queria exibi-la ou fazê-la se sentir incomodada com a diferença?
A anfitriã, após conferir a qualidade dos iniciantes, veio examinar a menina. Chamando a atenção dos convidados, sonoramente disse: "Vejam!!! Finalmente!!! Perdeu o medo menina??" E, com uma risada sádica, olhando nos olhos da pequena escrava, completou: "Pois não deveria!!" Rindo mais ainda, devido ao aparente tremor do corpo de Angelis. E passou a chicoteá-la sem piedade nos seios que estavam quase nus. Ordenou: "Olhe para o chão enquanto aquele que te criou não chega. Se é que Ele virá!!" Instalando um dúvida atroz no coração da menina: "Será que Ele chegará?"
Alguns Mestres se aproximaram da peça e, dentro dos limites colocados por Mistress Bárbara, a anfitriã, a examinaram. Por que não a tocavam? Por que não faziam com ela o que estavam fazendo com as outras iniciantes? Sentia que era desejada por sua pureza e boa educação, mas não era tocada, e aquilo a incomodava. Que tortura... Quem dominava aquele jogo, afinal? Onde estava a pessoa que assinou o bilhete? Queriam tocá-la, mas Dona Bárbara, atenta a todos os movimentos, não permitia. "Senhores e Senhoras, compreendam que esta peça já está vendida para um de nossos amigos!"
A menina discretamente correu os olhos pelo salão e, talvez por uma magnetismo, cruzou com os olhos de um homem que estava quase imperceptível num canto do salão. Ele tinha olhos expressivos, uma certa maldade coberta por um fogo no olhar. Ela O reconheceu, apesar da máscara. Ela O reconheceria em qualquer lugar, até mesmo no escuro. O corpo frágil da menina tremeu. Só Ele conseguia fazer aquilo sem ao menos tocá-la. Com um gesto pediu para que ela descesse e se aproximasse. Ela prontamente obedeceu. Todos olhavam a cena de obediência da menina. Ela estava receptiva em relação a Ele. O Mestre tirou a máscara e se revelou a todos. Agora nenhum obstáculo existia mais entre os dois. Ele era real. Com um chicote contornava o seu corpo, examinando cada centímetro, como se calculasse o quanto aquela carne iria sofrer naquela noite. Sofrimento suplicado pela menina durante muito tempo. Pediu para que ela se retirasse do salão e que o esperasse na sala localizada no fim do corredor. "Será devidamente castigada por ter me olhado nos olhos, quando tinha ordens explícitas para olhar o chão." Saiu dali trêmula, sem olhar para mais ninguém.
Longo tempo se passou. Novamente o silêncio, agora acompanhado da escuridão. Sentia frio. Medo. Angústia. A porta se abriu e o vulto de um homem grande segurando algo na mão fica parado, observando-a. Novamente o silêncio e a escuridão. "Encoste na parede, com as mãos para cima, segure nas argolas e não solte!!" Com alguma dificuldade ela achou as argolas e segurou-se firme. "Menina, agora você conhecerá minha crueldade. Jamais ouse me desobedecer novamente." E beijou-a. Ela ouviu o barulho do chicote cortando o ar. E gemeu...